19 abril 2016

O que se esconde atrás do golpe


Sobre as votações pró impeachment

Ano passado vivemos uma guerra nas câmaras municipais do país em torno da discussão sobre a chamada "ideologia de gênero".

Todas as menções a importância de discutir violência contra mulher, sexualidade, igualdade de gênero, racismo foram tiradas dos planos municipais de educação e, hoje, ainda circula projetos de lei de prisão para professores que discutem isso nas escolas.
Qual o argumento principal? Que este debate coloca em risco a família tradicional brasileira.
A tragédia de ontem já havia sido anunciada!!
Pois bem, ontem o medidor do discurso catastrófico dos deputados acontecia quando começavam com os dizeres "pela minha família", "por meus filhos", "por Deus, eu voto sim".
Quando essas frases eram ditas a gente já sabia que o voto seria pelo impedimento e que, seria provável, que o parlamentar pudesse, inclusive, defender a ditadura militar, os militares e esta moral familiar.
Eu estava no Anhangabau e os gemidos de lamento e decepção aconteciam ao dizerem "família", porque nada de bom viria depois! 
Que família é essa defendida por esses cristãos e porque  não convence ninguém ?
Não sejam ingênuos! 



Nosso país nos últimos anos teve um avanço enorme em direção a distribuição de renda, a população pobre e negra desse país consegue ter melhor qualidade de vida e acesso a universidade; as mulheres têm ocupado posições de liderança e tem conseguido, muitas vezes, cuidar de seus filhos sozinhas ou mesmo conseguido sair do único destino que lhes cabia, o de cuidar do lar; os gays, lésbicas e trans tem ganhado espaços de visibilidade, etc.
Essa família defendida pelos parlamentares é branca, é heterossexual, é composta por um pai e uma mãe, sem espaços para as mães solteiras, para as mulheres negras, para os filhos gays, para mulheres atuantes na política!


Essa família nunca, NUNCA existiu de fato em nosso país!
A gente vive em uma nação cujas famílias se afastam do padrão Doriana de ser desde sempre.
Desde o processo de escravidão os senhores faziam filhos em suas escravas negras, enquanto suas esposas eram obrigadas a manterem-se caladas sob suas regras; essas mesmas escravas davam a luz a mais uma criança a ser mantida no mesmo regime escravocrata; nossas famílias nunca foram "estruturadas" na figura de um pai e uma mãe, as crianças são criadas por suas avós e tias enquanto os pais abrem mão da educação de seus filhos; as mulheres negras continuam figurando nas estatísticas de morte materna.
Então, parem de bradar a família, porque  a família conclamada por esses deputados não nos representa e eles não estão preocupados com a maioria de famílias que compõem este país. Essa família não faz sentido  para a grande maioria dos brasileiros.
E se passa pela sua cabeça concordar com eles assuma a responsabilidade de estar sendo machista (porque  deseja que as mulheres continuem ocupando posições subalternas na esfera familiar); homofóbico (porque assume que vai jogar um possível filho gay na fogueira), racista ( porque está dizendo que as famílias negras da periferia não são famílias de verdade)...assuma a responsabilidade, se for cristão que compartilha dessa concepção de família citada pelos deputados, de não estar defendendo, como faria Jesus, as famílias pobres e trabalhadoras desse país!!!!Esses deputados tem medo! Tem medo de perder seus privilégios de homens brancos e cristãos que podem subalternizar suas esposas!Este momento exige um posicionamento claro e está mais do que na hora de caírem as máscaras!Vai ter luta e não vai ser por essa família e por essa moral defendida no processo criminoso de ontem!

Texto por Lara Facioli



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