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27 fevereiro 2016

Semana Dorinha Marinho, Capitulo 1

Hoje é o último dia da semana especial Um toque do Passado da autora Dorinha Marinho e, para que possamos encerrar em grande nível, deixaremos para vocês uma degustação literária. Publicado no blog oficial da Editora Percurso, queremos que vocês conheçam um pouco da escrita e o que se pode esperar desse enredo tão bem trabalho que na sua primeira tiragem vendou mais de 6.000 exemplares.

Confiram:



Capítulo 1:

A SOLIDÃO DE LETÍCIA

Era um desses fins de tarde de verão na ilha de São Luís. O sol beijava o mar, que respondia com um barulho gostoso e aconchegante. Do alto do seu luxuoso apartamento, estava doutora Letícia, que observava o quadro fascinante que se formara sob seus olhos. Com a alma solitária, olhava para o mar e sentia vontade de chorar por ver tantos encontros na terra e tanto desencontro no seu coração. 
O espetáculo que via era um convite a um passeio na noite ludovicense. Porém, sairia com quem? Poderia ser com Franco, mas este não era a pessoa que ela gostaria que lhe acompanhasse naquela noite, e, mais uma vez, voltou a se perguntar se por acaso a vida não seria mais generosa e lhe daria alguém que de fato lhe interessasse, visto que, para Franco, Letícia era a mulher dos seus sonhos. Já para ela, ele nem chegava perto de ser o homem esperado.
Enquanto seu coração solitário enamorava-se do mar, sua alma agradecia a Deus pelo privilégio de ver tão bela cena, e pelos olhos que o criador lhe dera. Reconhecia do alto do seu temor a Deus que, sem à vontade do Todo Poderoso, era impossível transformar aquela cena em um hino de louvor radiante. Naquela atitude de submissa adoração, buscava no seu íntimo a paz de espírito que lhe era tão presente, apesar de sua vida pregressa. 
Letícia era maranhense, nasceu em São Luís, ausentou-se apenas para se especializar e fazer doutorado, mas era apaixonada pela cidade e também pela sua pequena família.
Após observar toda aquela paisagem e sentir-se enamorada da mesma, levantou os olhos para o alto, glorificando o Criador, porque, naquele momento, estava de folga e podia receber o grande presente de Deus. 
Enquanto viajava em sonhos e em pensamentos, ainda da sacada do seu apartamento, percebeu que outra bela cena do espetáculo da natureza se formava. Se aquela imagem inundava a sua alma de gratidão, a cena atual lhe enchia de entusiasmo para sair, para buscar...
Com a vista marejada de lágrimas, imaginava o poder, a beleza e o amor de Deus. Letícia viu a lua cheia tendo seu brilho oscilado pelas águas salgadas. As ondas do mar levavam e traziam o brilho da lua que, como uma moça, enamorava-se da terra para visitá-la de maneira tão singular. O vento fazia a sua parte, como que agradecido pelos casais que ali estavam, a contemplar aquele quadro, soprava mais forte para dissipar toda e qualquer distância que houvesse entre eles. Letícia apenas observava, com a alma sensível à leitura da natureza. 
Com o coração solitário, começou a cantar. Apesar de não ser o seu forte, vez ou outra se arriscava no seu violão. E, naquele momento, lembrou-se do seu amigo, que estava esquecido no canto do quarto, e começou a cantar “sinto saudades de um amor, que eu não sei onde está”. A voz de Letícia não era tão bela como a da sereia que, provavelmente, cantava para encantar os casais. Mas, mesmo assim, continuou cantando, e sentia-se bem acompanhada. No lugar da solidão, viu-se rodeada por uma força invisível. E uma alegria inexplicável transbordava de afagos sobre o seu corpo. Teve certeza de que ouviu, naquela noite, o canto da sereia, pois, ao deitar com as janelas abertas, sentiu-se acalentada e adormecida pelo timbre que vinha do mar.


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