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16 julho 2015

Não posso me entregar assim, não mais! Joyce Xavier

Quem me conhece, acha que eu tenho um coração partido e isso não é uma mentira. Mas eu consegui remendar, costurei as partes que foram rasgadas, cresci e aprendi a ser mulher. Eu dei a volta por cima. Eu investi em mim mesma, nos meus sonhos e no meu potencial. Eu acredito em mim.
E quando me olhei no espelho e percebi a mulher que eu sou, vejo que perdi muito tempo com dizeres nada sinceros no pé do ouvido. Claro, que eu ainda quero receber um amor bonito, com flores e poesia. Mas nada é tão fácil para me conquistar. Pelo menos não nos dias de hoje.




Um dia fui até a padaria comprar um cigarro, eu estava descabelada, com a minha havaiana velha e com uma cara de sono. Não tinha cigarro para acompanhar o meu café, então, tive que mostrar o meu lado acordar para o mundo. Talvez, não tenha sido muito agradável para muitos, mas para um sim. Ele estava sentando na mesma padaria, comendo o seu pão feito na chapa e bebendo café-com-leite. Reparei, que mesmo toda desajustada, eu consegui chamar a atenção daquele cara. Conforme eu andava e conversava com a balconista, os olhos dele se voltaram para mim, mesmo com a minha lentidão matinal, eu conseguia perceber. Era notável.
Comprei o meu cigarro e novamente passei por ele, sem dar muita atenção e sem reparar a existência dele, por mais que a curiosidade em conhece-lo estivesse em mim. Não, mas não fui tão fácil assim. Enquanto ele me observava, o meu celular não parava de receber mensagens, mensagens que eu sempre gostei de receber, mas no fundo não me desperta curiosidade alguma. Muitos homens ao meu redor e eu sempre só, pois aprendi a ser seletiva para não me foder mais uma vez na vida. Meu coração foi remendado e às vezes penso que ele não está curado. A minha carência não é mais forte do que a minha vontade de ser feliz.
E por diversas vezes, por alguns dias, eu encontrava com o mesmo cara. E ele me olhava do mesmo jeito e as mensagens nunca paravam no meu celular, os homens me queriam tanto e eu não queria ninguém. Nada havia mudado, só o meu pensamento que levemente iria de encontro ao dele, mas nada demais. Não posso me entregar assim, não mais.




Depois de tanta porrada, aprendi a ser egoísta e pensar no meu melhor. Encontros casuais talvez, mas até neles eu tenho que saber escolher. Não é qualquer um que tem a honra de me ter por perto, nem que seja por algumas horas. Não sou uma mulher qualquer, sou intensa demais para viver comigo.
O tal cara, teve a coragem de se aproximar. E eu fui receptiva, eu queria muito saber sobre ele. Saber mais e soube. Bebemos um café no final da tarde de um domingo. O dia pedia cerveja, mas eu queria observar o além daquele homem apenas com o meu café. Ele me acompanhou, preferiu não pedir o seu café com leite e inúmeras guimbas de cigarro ficaram pelo chão. A conversa fluiu e terminamos aonde eu já queria ter começado, no fundo, eu queria acordar abraçada com ele.
Depois desse dia, nada mais foi falado sobre o nosso encontro. Tornamo-nos amigos e muitos homens ainda me procuram. Ontem mesmo, eu respondi uma mensagem com um simples “nossa história já deu, já acabou”. Não quero mais escrever romances e ter que termina-los com o sangue no olhar, mas não posso me entregar tão facilmente. 
Às vezes quero que seja apenas uma troca de prazeres, outras quero idealizar um conto de fadas, mesmo sabendo que não existe. Mas na verdade, eu quero me dar prioridade e mesmo que esse cara seja aquele que carrego no pensamento, quero pensar mais em mim. Mesmo que meu andar pelo salto agulha possa magoá-lo, mesmo que talvez eu mesma seja um obstáculo.

Joyce Xavier



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