05 maio 2015

Escola do amor

Oi, gente, desculpa sumir, estava mais uma vez cheia de coisas para fazer ;)               

a
  
Quando estava na sexta série aprendi sobre números ímpares (1, 3, 5, 7) e pares (2, 4, 6, 8). Os achei chatos e inúteis, quer dizer para que serve matemática?
Três anos mais tarde, quando já estava no ensino médio, comecei a aprender física. Polaridades opostas se atraem. Aprendi também química que envolvia cátions (positivos) e ânions (negativos). Mais uma vez falei: “Quem entende isso?”
Você deve estar se perguntando onde quero chegar com tantas informações. A resposta é simples, quero chegar ao amor. Em algum momento no meio dessa avalanche de informações, eu descobri o amor. Sim, o estúpido cupido dos mitos greco-romanos que te flecha e faz você se apaixonar por alguém com polaridades inversas e totalmente negativo.
Quando este sentimento foi despertado em meu coração adormecido, eu finalmente entendi a chatice de ímpares e pares que a professora queria enfiar de qualquer jeito em minha cabeça. Descobri que eu queria ser um número par e não ímpar. Se você pensar bem o número ímpar ou fica sozinho ou forma algo não completo. Veja o 1, ele não tem acompanhante e o 3 tem um sobrando. Eu queria ser par e queria que ele fosse meu par. Ele, o garoto que entendia matemática muito mais do que eu e também entendia polaridades inversas e essa coisa de lei da atração.
Imaginei que quem entendia tantos números e leis entenderia o amor. Imaginei errado. Para ele, o amor era só mais uma reação química do corpo com relação a hormônios, algo não muito importante e que já fora estudado e ainda assim um pouco incompreendido.
Compreendi então a melancolia dos poetas, a dor que desatina sem doer de Camões e o fingidor de Fernando Pessoa. Eu fingia que não sentia a dor que deveras sentia e que desatinava sem doer. Eu era um paradoxo de sentimentos, algo que não contextualizava com nada.
Comecei a me achar um verbo sem conjugação. Eu era o amor. Amor não se conjuga. Você não pode falar: Eu amor, tu amor, ele amor...
Passei tanto tempo sendo um verbo sem conjugação que esqueci que além de verbo era um substantivo. Eu tinha outra função, eu servia para outra coisa. Eu era o nome que era usado para identificar um sentimento, um sentimento essencial para viver.
Para viver eu precisava respirar e respirar consistia no ato de inspirar oxigênio e expirar gás carbônico. O gás carbônico era a paixão e a paixão foi expelida por mim com facilidade. A paixão foi o gás carbônico expelido com naturalidade de meus pulmões.


Não estar apaixonada era como estar na lua com gravidade zero. Gravidade zero era dar um pulo gigante no meio do nada e uma hora o nada cansa e somos obrigados a voltar para o insosso estado da paixão no qual o primeiro passo é a lei da atração. Estar apaixonada é como estar estudando. Tem várias fases de aprendizado.

                                                                         - Jariane Ribeiro

COMENTE PELO BLOG!

4 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, amei sua escrita <3
    O melhor de estar apaixonado é quando isso evolui pro amor, e uma vez amando, você nunca para. Eu acredito que a gente só ama uma vez na vida, temos que tomar cuidado com isso.
    Beijos, Tabatha
    http://aproveiteolivro.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os textos da Jariane são realmente ótimos!
      Obrigada pela visita e seja sempre bem vinda.

      Eliminar
  2. Que texto brilhante. É incrível quando amamos os problemas que enfrentamos ficam leves.
    Big Beijos
    Lulu on the Sky

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Verdade Lulu, tudo parece ficar mais leve com o amor.
      Beijos, seja sempre bem vinda.

      Eliminar

Páginação - Não altere este gadget!





© de tudo um pouco - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - DESENVOLVIDO POR Horion Agência Digital