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30 janeiro 2015

Um Lobo na China – Macau, a “Sin City” do Oriente

Sei que já me tinham cobrado uma crónica de viagem, mas confesso que tenho estado pouco inspirada e que me custa, em certa medida, lembrar de alguns momentos vividos no Oriente, porque sei que não se vão repetir tão cedo. Mas como não quero entrar no novo ano com lamechices, siga a marinha.
Após uns dias inesquecíveis em Hon Kong, rumei a Macau de Jetfoil, o barco que faz a ligação entre as duas cidades, numa viagem de cerca de cinquenta minutos. A entrada na antiga colónia portuguesa é imponente. À beira-mar, casinos e hotéis, como o Sands ou o Jai Alai, impressionam qualquer visitante. 


O frenesim da cidade sente-se à distância, abrindo-nos o apetite para mergulhar no território com mais vício, por Km², do Oriente. No terminal, um rosto [literalmente] familiar esperava por mim: o meu irmão, que, na época, vivia na China. “Podes fazer tudo. Mas mesmo tudo, à exceção de uma coisa: dívidas de jogo. Ou corres o risco de te suicidares dentro de uma arca congeladora”. Aviso recebido, pensei. Eu que nem sou grande fã de jogos de “sorte e azar”. Prefiro a estratégia. A estadia em Macau foi inesquecível. A junção perfeita entre o encanto do Oriente, a herança portuguesa, e a imponência dos casinos, confere-lhe um encanto único. 



Esta é a cidade que nunca dorme. Oferece alegria e animação 24 horas por dia. É um sítio para viver, para sentir, e não para visitar. E tem tanto para oferecer que o tempo não chega. Fiquei realmente impressionada com a grandiosidade do “Venitian”, o maior Casino do mundo, gémeo do congénere de Las Vegas. Tem literalmente Veneza no seu interior, com gôndolas e a praça de S. Marcos. Se nos abstrairmos dos milhares de chinocas histéricos para estoirar patacas nas slots, até parece que estamos em Itália. Nem sequer faltam as lojas caras. A prostituição declarada foi outro dos apontamentos que me surpreendeu. Existe em todo o lado, e não é, de todo, algo que me choque. Mas nunca tinha estado num sítio onde fosse tão socialmente aceite. No “Lisboa”, o casino mais antigo de Macau, fundado por Stanley Ho, existem prostitutas a circular 24 horas por dia, no meio das famílias que chinesas que vão almoçar Dim Sum. É curioso. Outro dado interessante é que Portugal está em todo o lado. Nos nomes das ruas, nas repartições públicas, na arquitetura, na gastronomia, na língua. É fantástico. 


Em todo o lado há uma boa alma a falar português, disposta a ajudar um pobre Lobo desorientado com um mapa em cantonês. Comer um pastel de nata e caminhar na calçada do “Leal Senado”, foi uma experiência única. Pensar que poderia estar a fazer o mesmo em Belém, mas, na realidade, estava no outro lado do mundo. É sinal que um dia já fomos grandes e que espalhámos a nossa herança cultural pelo mundo. Estas influências estão, também, na gastronomia. Tive o privilégio de provar o famoso Minchi, prato tradicional feito à base de carne picada, batatas fritas, arroz e ovo estrelado, pelas mãos da famosa nonagenária Aida Jesus. 


De referir que em Macau os restaurantes são tão baratos que, na verdade, não compensa cozinhar em casa. Recomendo vivamente o três estrelas Michelin do Casino “Grand Lisboa” que, apesar de exigir reserva, é super acessível. Este é um destino de sonho, daqueles que considero que se deve visitar, pelo menos, uma vez na vida. No entanto, existem alguns aspetos a ter em conta: nunca dizer coisas como “os cabr*es dos chineses” em voz alta, porque há sempre um que percebe e podem levar na tromba [como aconteceu ao outro]. Tenham cuidado com o que pedem nas discotecas e nos bares: por exemplo, um vodka limão é exatamente isso: um copo de vodka com um limão espremido lá dentro. Podem imaginar o que [me] aconteceu a seguir. Ia morrendo.  
Mas a língua tem destes problemas. 


Esta foi uma viagem inesquecível, que, infelizmente durou pouco. Os voos para Singapura já estavam marcados e ficou muito por ver. Macau encantou-me como nenhuma outra cidade me havia encantado antes. Fiquei hipnotizada pela magia do Oriente. Tanto que, passados três meses, estaria de volta. 




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