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02 dezembro 2014

O peso dos dezenove e tantos...

Olá, para quem ainda não sabe sou a nova colunista do blog, me chamo Jariane e sou professora de Literatura, acadêmica de letras e escritora nas horas que me sobram, tenho dezenove anos e logo terei meu primeiro livro publicado. Postarei aqui no blog crônicas, toda terça feira, espero que gostem.


Um dia desses fui obrigada a ir a uma loja de departamentos com minha mãe, eu fui animada, pensando que compraria livros e isso seria divertido, mas quando cheguei lá às coisas não aconteceram bem assim. A loja parecia um formigueiro e a musica natalina era tão depressiva que parecia que o gerente estava de mau humor e queria se vingar do mundo com aquilo. Eu tentei continuar em meu bom humor, mas minha mãe resolveu que precisava passar em cada corredor e colocar meia loja dentro do carrinho e foi então que eu descobri uma coisa:
Eu não gostava mais de lojas de departamentos, nem de musicas natalinas e muito menos de ficar no meio de muita gente, tudo o que eu queria era estar em casa lendo um livro ou comendo o que viesse pela frente. De repente o pensamento de que eu estava ficando velha e chata me atingiu como uma flecha na cabeça. Eu até me assustei com isso, quer dizer, eu tinha dezenove anos, pessoas de dezenove anos gostam de multidão e barulho e gente maluca gritando com o funcionário atrás de uma árvore natalina rosa e iluminação de neon verde. Continuei caminhando, dialogando comigo mesma e me desviando das pessoas, mas então minha mãe resolveu que também tinha que ir ao mercado, que ficava ao lado da loja, e lá fui eu.
O mercado não estava lotado e o silencio foi bem vindo, eu fiquei tropeçando nos calcanhares da minha mãe e em um momento simplesmente me apoiei no carrinho e fiquei parada perto das frutas. Foi aí que minha aluna apareceu e gritou pra meio mercado que eu era sua professora, me deu um beijo e saio correndo, este pequeno gesto pareceu clarear minha mente cansada e eu finalmente entendi o porquê de estar de saco cheio de gente e de lojas de departamento.
Minha rotina era pesada, eu trabalhava, estudava e quando sobrava tempo estudava ainda mais, eu estava saindo da parte das indecisões e entrando de cabeça no mundo capitalista da vida adulta. Eu finalmente estava sentido o peso de se ter quase vinte anos e ter de ir em busca do próprio sustento e bancar os próprios luxos. Essa constatação me fez imaginar se meu próximo passo seria sentar na sala e reclamar do preço do tomate, ou então ver o Jornal Nacional e reclamar da mudança de apresentadora.
Depois que saímos do mercado e viemos para casa eu ainda continuava com todas essas questões em minha cabeça. Comecei a lembrar de quando estava no ensino médio e de todas aquelas indecisões sobre que profissão seguir e a parte de que eu teria de ficar a minha vida toda fazendo aquela coisa que escolhi aos dezessete, quando eu só sabia formulas físicas e os que os colírios da Revista Capricho achavam atrativo em uma garota, em seguida lembrei do primeiro dia de faculdade e de como obriguei minha mãe a me levar até a porta da sala porque imaginei que o pessoal da faculdade não iria me querer porque eu só tinha dezessete anos, uma franjinha ridícula em cima dos olhos e um livro do Percy Jackson na bolsa. No final das contas eles me receberam bem e eu descobri que a faculdade não era como nos filmes americanos, eu não conheci o carinha gato e nem tomei um porre e a constatação de nunca ter tomado um porre me deixou nostálgica. Caramba eu estava quase nos vinte e não tinha tomado um porre, estava ficando ranzinza e velha, será que aos quarenta eu tomaria meu primeiro porre e faria a besteira de levar um desconhecido para morar comigo?
Falei com minha mãe sobre isso e ela me disse que talvez eu estivesse na crise dos vinte, ou então entediada, preferi acreditar que era só cansaço mesmo e por via das dúvidas escondi uma garrafa de vinho embaixo das frutas, só para o caso de eu me achar velha demais de novo.

 Jariane Ribeiro



8 comentários:

  1. Uaau, que texto maravilhoso :D
    beijos

    Tem post novo lá no blog
    www.milennadartora.blogspot.com.br/

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  2. Esse é o custo de ser precoce: tudo acontece mais cedo pra vc. Mas as lojas ficam realmente insuportáveis nesta época do ano. Eu adoro o Natal, mas preferia q fosse com menos pessoas nas ruas! rs

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    1. Eu também, a muvuca me irrita, dai prefiro ficar em casa rsrsrs

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  3. ai essas crises, vivo tendo, pensando em que sou, onde estou!
    esse ano mesmo foi um ano de crises rsrsrs 21 anos, término da facul, ir em busca do primeiro emprego...
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Eu tenho dessas crises, primeiro emprego, metade da faculdade, tudo vira uma bola de neve

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  4. Eu sei o que é isso estou nessa crise, fiz 21 anos, nunca tomei um porre, a realidade da vida adulta de atingindo para tudo que é lado. Eu as vezes só queria poder voltar no tempo e só me preocupar em fazer a faxina que a minha mãe mandava fazer, assistir meus filmes e paixonites bobas.

    http://www.garotadosuburbio.com/

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    1. Eu peço a mesma coisa, prefiro lavar louça a me preocupar com emprego, faculdade e tudo rsrsrs

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